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Evangelização

Papa: nestes tempos o Grande Acusador parece perseguir os bispos

10/09/2018 às 20:09
O bispo é um homem de oração, sente-se escolhido e é próximo ao povo. Na homilia na Casa Santa Marta, o Papa Francisco concentra-se sobre estes três aspectos que devem caracterizar um bispo.

Debora Donnini-Cidade do Vaticano

Nestes tempos parece que o Grande Acusador está perseguindo os bispos e portanto, para eles é importante recordar que a sua força é ser homens de oração, saber terem sido escolhidos por Deus e permanecer próximos às pessoas.

Na homilia da missa celebrada esta manhã na capela da Casa Santa Marta, o Papa refletiu sobre esse ministério, inspirando-se no Evangelho de Lucas (Lc 6, 12-19) proposto pela liturgia do dia. A passagem narra que Jesus passa a noite em oração, e depois escolhe os Doze Apóstolos - ou seja, os "primeiros bispos" - e então desce para as planícies e está em meio às pessoas que vêm para ouvi-lo e serem curadas de doenças.

Cursos para bispos

 

Francisco fez esta reflexão sobre a escolha dos bispos como Jesus fez pela primeira vez, também à luz do fato de que, neste período em Roma, estão sendo realizados três cursos para bispos: um de atualização para os bispos que completaram 10 anos de episcopado – concluído nestes dias  - um para 74 bispos que  estão à frente das dioceses de territórios de missão – que portanto fazem referência  à Congregação de Propaganda Fidei - e um com 130-140 bispos que pertencem à Congregação dos Bispos. Portanto, novos bispos: mais de 200 nesses dois cursos.

Homem de oração

 

O primeiro aspecto fundamental é ser homens de oração. A oração é, de fato, "a consolação que um bispo tem nos momentos difíceis" - observa o Papa - isto é, saber que "neste momento Jesus reza por mim", "reza por todos os bispos".

Nessa consciência, o bispo encontra aquela "consolação" e aquela força que o leva por sua vez a rezar por si mesmo e pelo povo de Deus.  Esta é sua primeira tarefa. São Pedro também confirma que o bispo é um homem de oração quando diz: "Para nós, a oração e o anúncio da Palavra". Ele não diz: "Para nós, a organização dos planos pastorais ...", enfatiza Francisco.

Um homem que se sente escolhido e é humilde

 

O segundo aspecto que o Papa ressalta é que Jesus escolhe os Doze e o bispo fiel sabe que não foi ele que escolheu:

O bispo que ama Jesus não é um galgador que segue em frente com sua vocação como se fosse uma função, talvez olhando para outra possibilidade de seguir em frente e de subir: não. O bispo se sente escolhido. E ele tem a certeza de ter sido escolhido. E isso o leva ao diálogo com o Senhor: "Você me escolheu, que sou pouca coisa, que sou pecador ...": tem humildade. Porque ele, quando se sente escolhido, sente o olhar de Jesus sobre a própria existência e isso lhe dá força.

Não fica distante das pessoas

 

Por fim, como Jesus no Evangelho de hoje, o bispo desce a um lugar plano para estar perto do povo e não se afasta:

O bispo que não permanece distante do povo, que não usa atitudes que o levam a estar distante do povo; o bispo que toca as pessoas e se deixa tocar pelas pessoas. Ele não vai procurar refúgio nos poderosos, nas elites: não. Serão as elites que irão criticar o bispo; o povo tem essa atitude de amor para com o bispo, e tem essa  - por assim dizer – esta unção especial: confirma o bispo na vocação.

O Grande Acusador quer escandalizar as pessoas

 

Várias vezes durante a homilia o Papa reafirma que a força do bispo é precisamente ser "homem de oração", "homem que se sente escolhido por Deus" e "homem em meio ao povo":

É bom recordar, nestes tempos, em que parece que o Grande Acusador tenha se soltado e persegue os bispos. É verdade, existem, todos  somos pecadores, nós bispos. Mas, procura desvendar os pecados, para que sejam vistos, para escandalizar as pessoas. O Grande Acusador que, como ele mesmo diz a Deus no primeiro capítulo do Livro de Jó, "vaga pelo mundo procurando como acusar". A força do bispo contra o Grande Acusador é a oração, aquela de Jesus sobre ele e a própria; e a humildade de sentir-se escolhido e de permanecer próximo ao povo de Deus, sem ir em direção a uma vida aristocrática que lhe tira essa unção.

Rezemos hoje  por nossos bispos: por mim, por estes que estão aqui  e por todos os bispos do mundo.

 

Fonte: Vatican News

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